Guia de estudo · Técnicas de Redação · 7º ano
Tudo o que você precisa para a redação de amanhã, explicado em etapas. Leia com calma, do começo ao fim — cada parte prepara a próxima.
1 Entenda o gênero
A crônica é um texto narrativo curto que fala sobre situações do cotidiano — coisas comuns do dia a dia. O segredo dela é simples: pegar um fato pequeno e transformá-lo em uma história interessante, que faz o leitor pensar, rir ou se emocionar.
Ela não precisa de aventura, mistério ou final mirabolante. Quanto mais real e próximo da vida, melhor. Uma crônica pode ter quatro "personalidades" diferentes:
Faz o leitor pensar sobre a vida.
É leve e arranca um sorriso.
Comenta algo do mundo ou das pessoas.
Mexe com o coração.
2 Leia o que foi pedido
Esta é a situação-problema da sua redação, exatamente como está na folha:
O "pulo do gato" está no algo inesperado. Começa tudo normal, e aí acontece uma virada. Ideias que a própria proposta sugere:
Escolha um fato verdadeiro que já aconteceu com você. É muito mais fácil escrever sobre algo real do que inventar.
3 As regras obrigatórias
Estes são os itens que a professora vai conferir. Cada um deles vale ponto. Garanta todos:
4 A estrutura
Decore este esqueleto. Ele serve para qualquer tema — é o molde da crônica. Repare que é exatamente o que a professora marcou à mão no exemplo dela: “Cotidiano – início” lá em cima e “Reflexão – final” lá embaixo.
Mostre uma cena normal. "Era só mais uma terça-feira…", "Eu estava voltando da escola como sempre…". Já comece soltando detalhes: que horas eram, o que você sentia, o que via ao redor.
É o coração da crônica. Algo quebra a rotina. Descreva a cena com calma e com detalhes, para o leitor "ver" o que aconteceu. Esta é a parte mais longa.
Feche com uma frase que faz pensar ou com uma virada engraçada/surpreendente. É aqui que o fato simples vira algo significativo.
5 Mão na massa
Não comece escrevendo direto a versão final. Siga estas etapas — é assim que sai um texto bom sem travar:
Pense num momento real, pequeno e marcante que já viveu. Anote em uma frase qual foi.
Em três linhas, escreva: como era o dia (início), o que aconteceu (meio), o que você percebeu (fim).
Monte a cena comum, com um ou dois detalhes que situem o leitor.
Conte o acontecimento inesperado devagar, com detalhes do que viu, ouviu e sentiu.
Termine com a reflexão ou a surpresa. Uma ou duas frases bastam.
Releia duas vezes conferindo parágrafos, pontuação, repetições e concordância (ver a Legenda mais abaixo).
6 O segredo da nota
O critério "conter detalhes que aproximem o leitor" vale pontos. A diferença entre uma nota mediana e uma nota alta quase sempre está aqui: trocar o genérico pelo concreto. Veja:
Use coisas que você realmente viu, ouviu e sentiu: o barulho, o cheiro, o que pensou na hora, um gesto de alguém. É isso que faz o leitor entrar na cena.
7 Veja na prática
São modelos para você entender o formato — não para copiar. Cada um mostra um tom diferente. Repare nas etiquetas vermelhas marcando início, meio e fim.
Era só mais uma quinta-feira de aula. Eu estava com sono, mal tinha tomado café, e o relógio da sala parecia andar de propósito devagar.
Meio — o inesperadoFoi quando a professora chamou meu nome para responder uma pergunta. Eu levantei a mão, respondi certinho e, sem pensar, terminei com um "tá bom, mãe". A sala inteira congelou por um segundo. Depois veio a risada. Senti o rosto esquentar até a ponta da orelha e quis virar pó ali mesmo, na carteira.
Fim — reflexãoQuando a vergonha passou, percebi uma bobagem engraçada: chamei a professora de mãe porque, no fundo, na correria da escola, ela também cuida da gente. Naquele dia o mico virou a quinta-feira que eu não esqueci mais.
Por que funciona: dia comum → virada inesperada (o mico) → reflexão leve no fim. Mostra que crônica também pode ser engraçada.
Todo domingo é a mesma coisa: a gente vai almoçar na casa da minha avó. Eu, confesso, costumava ir reclamando, de olho no celular, contando os minutos para voltar.
Meio — o inesperadoNaquele domingo, sem querer, levantei a cabeça e a vi parada na porta da cozinha, esperando o carro chegar. Quando me viu, o rosto dela se abriu num sorriso enorme, como se eu fosse a melhor notícia da semana. Foi só um instante, mas eu percebi: ela espera por aquilo a semana inteira.
Fim — reflexãoGuardei o celular no bolso. Naquele almoço, ouvi as histórias dela até o fim. Entendi que algumas coisas simples, que a gente acha que vão durar para sempre, merecem mais atenção enquanto ainda estão aqui.
Por que funciona: um detalhe pequeno (o sorriso na porta) carrega toda a emoção. A reflexão final dá o significado.
Era uma noite comum lá em casa. Cada um num canto da sala, cada um com seu celular na mão, todos no mesmo cômodo e, ao mesmo tempo, em lugares completamente diferentes.
Meio — o inesperadoDe repente, a internet caiu. Sem aviso. Primeiro veio o silêncio, depois a reclamação geral. Sem ter o que fazer, meu pai pegou um baralho velho da gaveta. No começo foi só para passar o tempo. Mas, em poucos minutos, a gente estava rindo, lembrando de histórias antigas, brigando de mentira por causa do jogo.
Fim — reflexãoQuando a internet voltou, ninguém correu para o celular na mesma hora. Foi estranho perceber que a tela, que devia nos aproximar, às vezes faz o contrário. Naquela noite, foi preciso a internet cair para a minha família, enfim, se encontrar.
Por que funciona: tema de tecnologia, do dia a dia, com uma crítica gentil. O fim surpreende ao virar a lógica de cabeça para baixo.
8 Não perca pontos à toa
Estas siglas são os "carimbos" que a professora usa para marcar erros no texto. Conhecê-las serve para duas coisas: entender a correção quando a redação voltar e, principalmente, revisar antes de entregar. Em cada uma: o que significa e um exemplo de erro → correção.
Grupo A — Ideias e organização
Trecho incoerente (sem lógica com o texto ou com a realidade).
Estava chovendo muito, por isso fui à praia tomar sol.
Falta de articulação/organização entre as ideias.
O ônibus parou. Eu gosto de sorvete.→use conectivos e mantenha o assunto
Trecho confuso, difícil de entender.
O homem que o ônibus que parou ele caiu.→O ônibus parou e um homem caiu.
Trecho fragmentado/incompleto (frase pela metade).
Quando o ônibus parou de repente.→…todos se assustaram.
Ausência de paralelismo (lista desencaixada).
Gosto de correr, de nadar e jogos.→correr, nadar e jogar.
Redundância (repetir a mesma ideia).
Subiu para cima e entrou para dentro.→Subiu e entrou.
Grupo B — Palavras e vocabulário
Repetições inadequadas de palavras.
O homem caiu. O homem estava mal.→…Ele estava mal.
Vocabulário inadequado ou impreciso.
A pessoa fez uma coisa estranha.→O motorista fez um gesto estranho.
Grafia das palavras (ortografia e acentuação).
concerteza, agente foi→com certeza, a gente foi
Grupo C — Gramática
Ausência de concordância verbal.
As pessoas ajudou.→As pessoas ajudaram.
Ausência de concordância nominal.
Duas menina bonita.→Duas meninas bonitas.
Flexão inadequada (gênero, número, tempo ou modo do verbo).
Ontem eu vou à escola.→Ontem eu fui à escola.
Uso inadequado de pronome.
Para mim fazer o exercício.→Para eu fazer o exercício.
Uso inadequado de preposição.
Vou no médico amanhã.→Vou ao médico amanhã.
Uso inadequado de conjunção.
Estava cansado, mas dormi cedo.→…por isso dormi cedo.
Grupo D — Registro (o jeito de escrever)
Registro inadequado: escrever como fala ou como internet (gíria, "vc", "kkk", emoji).
Aí mano, foi mó doido kkk→Foi uma situação muito inesperada.
Grupo E — Apresentação na folha (fáceis de garantir!)
Pontuação inadequada.
Acordei tomei café corri→Acordei, tomei café e corri.
Ausência de marcação do parágrafo.
Comece cada parágrafo com recuo (afastado da margem).
Margens não marcadas.
Respeite a margem nos dois lados da folha.
Divisão silábica ou mudança de linha inadequada.
trab-alho→tra-balho
Letra ilegível.
Capriche na letra: o que não dá para ler, é marcado.
9 Como a nota é dada
A nota final vai de 0 a 10, dividida em quatro competências. Saber o que cada uma cobra ajuda a focar onde ganha ponto:
| Competência | Vale | O que é avaliado |
|---|---|---|
| Adequação da linguagem | 0 – 2,5 | Escrever certo: ortografia, concordância, pontuação, sem gíria. É onde a legenda mais conta. |
| Coesão e Coerência | 0 – 2,5 | O texto faz sentido e as ideias se ligam: parágrafos, conectivos, começo/meio/fim encaixados. |
| Adequação ao gênero | 0 – 2,5 | É de fato uma crônica: narra um fato cotidiano e tem reflexão ou surpresa no final. |
| Adequação ao tema | 0 – 2,5 | Seguiu a proposta: um dia comum que vira algo marcante. |
| Nota final | 0 – 10 | A soma das quatro. |
10 Antes de entregar
Marque cada item depois de conferir na sua redação. Quando tudo estiver verde, pode entregar com confiança.
0 de 11 conferidos